Aerial view of Ouro Preto, Brazil

Mudanças

LANGUAGE: PORTUGUESE
WRITTEN AND TRANSLATED BY: MELISSA NUHICH

As mudanças acontecem quando você as menos espera. Às vezes, elas ocorrem quando você as menos deseja. No entanto, independentemente de como ou por que elas surgiram, as mudanças na minha vida me fizeram quem eu sou hoje. 

Quando eu estava começando o ensino médio, mudei para o Brasil. Eu frequentei uma escola americana e mudei de um sotaque australiano para um norte-americano em duas semanas. Eu aprendi uma língua que eu mal tinha ouvido falar antes, mas que agora amo falar e ouvir. Eu fiz amizade com pessoas que eram como eu, mas ainda mais, com pessoas que eram diferentes de mim – e ficamos amigos até hoje. Conheci famílias extremamente ricas e famílias extremamente pobres, muitas vezes vivendo dos lados opostos da rua, abrindo meus olhos para as desigualdades que existem além das fronteiras da minha realidade. O currículo acadêmico que eu tinha que seguir era muito diferente e mais desafiador do que qualquer outro que já conheci, mas me disseram de continuar e continuar, apesar dos obstáculos do crescente choque cultural, da saudade de casa e da pressão social para se adaptar.

Mudar tudo que eu já conheci não foi uma barreira fácil de superar no começo. Independentemente disso, agradeço a oportunidade que eu tinha. Esta não foi a primeira vez que eu tive que deixar a familiaridade de minha casa para trás, e certamente não será a última. Mas de alguma forma, isso parecia ser a mudança mais importante. Não só o meu tempo passado no Brasil marcou os anos mais importantes do meu desenvolvimento, mas também abriu meus olhos para ver como o mundo funciona e para as mudanças que se tornaram beneficentes no final. Resistir a essas mudanças não teria ajudado. Em vez disso, eu sabia que tinha que dar o salto e abraçar a catarse que isso dava. Mudanças estavam ocorrendo, mas quem era eu para pará-las?

 

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Changes

 

Changes occur when you least expect them. Sometimes, they occur when you least wish for them. However, regardless of how or why they have come about, the changes in my life have made me who I am today.

When I was just starting high school, I moved to Brazil. I attended an American school and changed from an Australian accent to an American one within two weeks. I learned a language that I had barely heard being spoken before, but that I now love to speak and hear. I befriended people who were like me, but even more so, people who were unlike me – and we stayed friends till this day. I met extremely wealthy families and extremely poor families, oftentimes living across the street from one another, opening my eyes to the inequalities that exist beyond the borders of my reality. The academic curriculum that I had to follow was vastly different and more challenging than any I had ever known, but I was told to keep up and keep going despite the obstacles of growing culture shock, homesickness, and the social pressure to adapt.

Changing everything that I had ever known wasn’t an easy barrier to overcome at first. Regardless of this, I am grateful for the opportunity I had. This wasn’t the first time I had to leave the familiarity of my home behind, and it certainly wasn’t going to be the last. But somehow, it felt like the most important change. Not only did my time in Brazil arguably mark the most important years of my development, it also opened my eyes to the way the world works and to the changes that turned out beneficial in the end. Resisting these changes would not have helped. Instead, I knew I had to take the leap and embrace the catharsis that it gave. Changes were occurring, but who was I to stop them?